QuartoInteiro
terça-feira, maio 09, 2006
  Trilogia do Adeus (2)
o corpo foi, mas a alma ainda insiste!

Que são essas vozes que escuto no corredor? As luzes estão apagadas para nós, meu bem. Nos restaram diálogos inacabados, as plantas no corredor, os santos esquecidos, as lembranças anotadas em lugares secretos, as viagens que não nos levaram para os lugares que não conhecemos. Também uns beijos enganados, dois abraços irreconhecíveis, mais notas secretas, cobertores para o frio, meias de lã. Deito no chão deste quarto inteiro e respiro profundamente, my funny valentine. Não ouça Chet Baker, por favor.

Não liga não, meu bem. Esse é o tempo das insônias, das minhas insônias ambulantes. Sou um inseto catatônico te procurando nas lâmpadas fluorescentes dos bares. Eu aprendi isso no meu dicionário. Fui letra por letra, palavra por palavra, de forma quase obscena circulando entre os ás, bês, cês e dês... até descobrir que essa foi feita sobre medida para esse tempo. Agora: ser e estar.

Depois do tempo do que era amor, meu amor, preciso de outro para desabrochar o desamor. Fui eu quem ficou com as pétalas no bolso, lembra? Envelopadas. E é delas que estudo: (des)lição, (des)fruição, (des)integração...

O cinza inunda o céu e as janelas azuis da vila estão todas fechadas. Todos assustados pensando no futuro. Nunca tive medo disso. O fim é banal. É a parte do sonho que acaba antes do gozo. A luz do cinema acendeu, meu amor. Meus olhos estão vermelhos...
 
Comentários:
vc sempre arrasa.
 
sou muito mais arrasado do que arraso! rsrsrs
 
Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]





<< Página inicial

Arquivos
agosto 2005 / setembro 2005 / outubro 2005 / novembro 2005 / dezembro 2005 / janeiro 2006 / fevereiro 2006 / março 2006 / abril 2006 / maio 2006 / junho 2006 / agosto 2006 / setembro 2006 / outubro 2006 / novembro 2006 / dezembro 2006 / janeiro 2007 /


Powered by Blogger

Assinar
Comentários [Atom]