Trilogia do Adeus (2)
o corpo foi, mas a alma ainda insiste!Que são essas vozes que escuto no corredor? As luzes estão apagadas para nós,
meu bem. Nos restaram diálogos inacabados, as plantas no corredor, os santos esquecidos, as lembranças anotadas em lugares secretos, as viagens que não nos levaram para os lugares que não conhecemos. Também uns beijos enganados, dois abraços irreconhecíveis, mais notas secretas, cobertores para o frio, meias de lã. Deito no chão deste quarto inteiro e respiro profundamente,
my funny valentine. Não ouça Chet Baker, por favor.
Não liga não,
meu bem. Esse é o tempo das insônias, das minhas insônias ambulantes. Sou um inseto catatônico te procurando nas lâmpadas fluorescentes dos bares. Eu aprendi isso no meu dicionário. Fui letra por letra, palavra por palavra, de forma quase obscena circulando entre os ás, bês, cês e dês... até descobrir que essa foi feita sobre medida para esse tempo. Agora: ser e estar.
Depois do tempo do que era amor,
meu amor, preciso de outro para desabrochar o desamor. Fui eu quem ficou com as pétalas no bolso, lembra? Envelopadas. E é delas que estudo: (des)lição, (des)fruição, (des)integração...
O cinza inunda o céu e as janelas azuis da vila estão todas fechadas. Todos assustados pensando no futuro. Nunca tive medo disso. O fim é banal. É a parte do sonho que acaba antes do gozo. A luz do cinema acendeu,
meu amor. Meus olhos estão vermelhos...