QuartoInteiro
terça-feira, agosto 30, 2005
 
"Lerás porém algum dia
Meus versos d'alma arrancados,
D'amargo pranto banhados,
Com sangue escritos; — e então
Confio que te comovas,
Que a minha dor te apiade
Que chores, não de saudade,
Nem de amor, — de compaixão." (Gonçalves Dias, Ainda uma vez - Adeus)

Desde ontem, quando despejasse para o mundo tuas palavras e deste vários nomes e adjetivos para tudo fiquei com uma sensação de vazio fulminante. Hoje o dia está tão cinzento, chuvoso e frio. Passei o tempo todo em casa. Da minha mesa - que fica bem perto da janela - escrevo essas linhas para confessar: pensei em cravar nas tuas costas um punhal de exata medida e sufocar-te com algumas de minhas ânsias para mostrar que eu também sou capaz gritar. Conseguiria? Duvido. Tão pouco verdadeiro era esse intuito que estancou agora, neste exato momento, quando alguém cruza a rua correndo da chuva lá fora. Anônimo entre os guarda-chuvas. Eu ainda estou na mesma mesa e olho pela janela. Desde ontem. Uma menina de casaco amarelo e sobrinha transparente espera com um sorriso o anônimo. Que metafísica é essa submetemos nosso mundo para justificar os braços abertos e sorrisos que esperam do outro lado da rua?

Este quarto abre algumas janelas para Dona Estultícia.
 
Comentários:
Pronto. Só seguir a trilha.
 
Gente, quem é vc e essa dona estultícia???? Fiquei curiosa.
 
Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]





<< Página inicial

Arquivos
agosto 2005 / setembro 2005 / outubro 2005 / novembro 2005 / dezembro 2005 / janeiro 2006 / fevereiro 2006 / março 2006 / abril 2006 / maio 2006 / junho 2006 / agosto 2006 / setembro 2006 / outubro 2006 / novembro 2006 / dezembro 2006 / janeiro 2007 /


Powered by Blogger

Assinar
Comentários [Atom]