QuartoInteiro
quarta-feira, dezembro 06, 2006
  Histórias (re)Contadas

Quando Maomé II cercou Constantinopla, os Cristãos estavam empesteados pelo terror. A invasão moura, cuja ira aumentava graças aos excessos de confiança e desatinos de Constantino, só se fazia aumentar. No bastidor deste embate, uma querela nasce entre o sultão e seu general mais fiel, conhecido como “O impiedoso”. E essa disputa se dá enquanto os cristãos, amedrontados, buscavam no sobrenatural a razão para a própria decadência, parindo superstições e crendices, como o eclipse que atravessou a cidade, por exemplo. Rapidamente tudo tornaram-se sinais de mau-agouro. E isso enfraquecera ainda mais a certeza, antes abençoada pelo deus Cristão, de que as muralhas de Constantinopla jamais seriam atravessadas pelos turcos-otomanos.

No dia 29 de maio de 1453 o sultão decidiu pelo ataque final à cidade. Enquanto os sinos de todas as igrejas da cidade tocavam ininterruptamente, Maomé II reuniu suas tropas para um discurso final, dizendo-lhes que o inimigo já estava vencido em seu próprio coração fraco. Depois de falar por meia-hora de tal forma que seu discurso de propagou aos 80 mil soldados, o sultão quis dar a palavra o general Impiedoso, mas com um sinal discreto abriu mão do uso da palavra.

Maomé II explodiu em ira e, antes do ataque, providenciou secretamente a morte do general. “Que lhe arranquem a cabeça!”, disse o sultão. Meia-hora depois do general morto, o sultão fez questão de reunir todos outros generais em sua tenda. “Nenhum homem que ocupa determinada posição tem direito ao silêncio. É um desrespeito com as centenas de milhares de mortos que cairão em combate, com os nossos soldados e até mesmo com os inimigos. Seja por medo, seja por negligência é impossível permitir que um general tente anular-se nesse momento. Não há espaço para determinadas atitudes em determinadas situações. Fiz o que era preciso”, disse o sultão.

Uma hora depois, os turcos-otomanos entraram em Constantinopla e destruíram a cidade, ávidos de possuir as entranhas da marmórea cidade cristã. A volúpia com que os invasores tomaram a cidade fez com que o sultão rompesse a promessa dos três dias de saque aos soldados e, já no primeiro, os saques foram proibidos. Mais tarde, a Catedral de Santa Sofia, invadida, seria transformada em mesquita e a história seguiu.
 
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