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É tudo pose. Tudo fase. Neutro, positivo, negativo...Vai colocando neste carinho de supermercado essas nossas coisas. Rancho de inutilidades. Tudo pose, com direito a close, luneta e photoshop. Sobrarão as doses certas, as fotos, as palavras certas. Coloque no carrinho com cuidado: futilidades aqui, inutilidades no outro canto, fragilidades em cima. Nem nós agüentamos. Não durante tanto tempo e, ainda por cima, os pés incham nesses sapatos absurdamente elegantes. Ah, não importa não o esparadrapo no calcanhar! Não importa o suor das axilas, não. Ninguém vai arriscar chegar tão perto da gente com essa pose. Tudo pose, alguém tem uma fita crepe aí?
Estou começando a despencar, lentamente, depois do feito nem superbonder vai consertar esses cacos.
Rápido, afinal, não sei por quanto tempo suporto essa pose. Estou me sentindo estúpido. Aspirina? Não tem coisa mais forte aí? Ah, sim, é possível que eu precise dormir um mês depois desta cena. Tudo tem preço. Quarentena total. Enrolo para, quem sabe, alguém de fora apareça com alguma coisa útil.
Ei, meus pés estão me matando, sabe. Já te disse isso, não é mesmo?
Não tenho o que te dizer, tudo está perigosamente sem sentido e é por isso que sustento essa pose. Sinto a cal derretendo pelas minhas paredes. É tudo pose, amigo, retrate aí na sua câmera digital de 5.1 Megapixels. Retrate essa minha falsa sobriedade, pois amanhã vou estar sabe-se lá como. Pose, só hoje, ou enquanto eu não vomitar no carpete. É intencional, sim. Tudo pose intencional, nada aqui é natural. Fake ao quadrado. De propósito. Você se assusta com pouco, viu? Ingênuo, idiota ou as duas coisas?