Súmula 4.0
11 horas de sábado. Dia ensolarado e frio. Tomam o café da manhã antes da caminhada de sempre. Fazia semanas que não trocavam uma palavra, não se viam ou qualquer outro contato.
[comem]um deles busca assuntos aleatórios, frugais e leves. O outro se mantém calado numa quase indisfarçável tensão que os deixa ambos desconfortáveis. Uma bomba que pode a qualquer momento explodir.
[a garçonete deixa uma bandeja com dois expressos na mesa]Pode ser que realmente eu insista em ter problema, sabe? Mas daí a achar que eu gosto disso existe uma distância. De fato é uma coisa a ser tratada, uma espécie de doença mesmo, eu acho. O que posso fazer é tentar controlar e sei que tenho passado da conta.
[o outro olha insatisfeito com o diálogo, num ar de reprovação e desgosto pelo assunto]Concordo com você e tudo que tenho para dizer é que não quero passar por isso. Se você pudesse ao menos me deixar fora desse questionamento. Tudo que quero é estar contigo sem essas reflexões intermináveis e apenas aproveitar esse sol, esse café e a tua presença. Parece que é pedir demais...
[bebem o café. silêncio novamente]