Rastros

Ele me deixou ardida no meio das pernas, latejando no compasso dum coração agitado. Me deixou mole, deixou, sim... e foi assim, subitamente, no auge. Deixou as frutas mordidas, o pescoço marcado, as minhas coxas arranhadas, todos os lábios inchados. Ele deixou uma voz que, quando escuto, escorro; a impressão da língua que sobe pelas pernas até a virilha. Deixou centenas de recados, bilhetes, cartas, versos, textos, histórias. Deixou um gosto por ficar de quatro, morder o colchão, chupar o dedo e me espalhar, ahhhhhhh!!!!!! de me espalhar, toda tonta e sem lugar. Deixou um gosto por linguerie ordinária. Preto, vermelho, rosa. Para ele
vermelho era cor de
puta. De puta de respeito, se me entende, me deixou dito isso também. Me deixou um gosto, um gosto de dizer pra ele, ah não!! hoje você não vai me comer não. Me deixou com vontade de trepar mal, com a vontade que um homem ruim me possuísse. Um homem ordinário, sim, um homem que me desconstruísse. me deixou com estes estranhos prazeres, estranhos legados. Me deixou com uma boca errática procurando uma língua errática e novos verbos. Me deixou com filho da puta, cretino, me fode, porra, cachorro, cachorro, deixou com palavras entaladas na minha
Garganta Profunda. Me deixou nua na cozinha, de calcinha vermelha e sapato de salto. Me deixou como uma puta-palhaço. sozinha no espaço. Aos pedaços...