Itinerários
"o que não serve para amor-táctil, tem que servir pelo menos para escrever"Quem controla o vento que vêm rasgando as ruas? Em tudo, um cheiro indecifrável deixa nos nossos narizes uma confusão imensa. Cheiramos um ao outro à procura de respostas, tal como dois cães que numa tarde de sol se identificam.
Eu me estranho ao som dos teus dentes desgastados das mesmas palavras, e, na aventura das novas coisas, se esgotam observações confusas sobre mim. E eu que sou tanto o mesmo ultimamente tenho dúvidas sobre que tempo é esse. Confusamente atemporal.
Vamos, meu bem, vamos dançar só mais essa? De rosto colado. Quentinho! Uma balada de Stan Getz e Dave Brubeck não é pouca coisa para nós que temos o inverno pela frente. As baladas deviam ser proibidas ou penduradas na estante para que o mundo fosse mais simples para uma pessoa como eu. Mas insisto nelas. É hora de pegar o trem, mas a estação está tão longe e esse vento gelado dá uma preguiça.
Além disso, eu continuo sentindo esse cheiro e perguntando: que é? Você já foi embora há tempos, apressada, pois seu tempo é outrora. E o meu futuro imediato é passar os dias te esquecendo nesta estação.