Solidão Ordinária
Meus pensamentos são regulares: cotidianos sobre as vitrines e fachadas, manchetes de jornais, bancos de praça, cafés. Diálogos de uma solidão tranqüila e bem orquestrada. O meu eu dialoga melhor assim: uma solidão ordinária. Aparentemente, controlo com mais facilidade o que se passa ao redor. E, de fato, me preocupo com o convívio de tal forma que, depois de algum tempo, raramente acho a inserção de uma outra alma nesta linearidade coisa cômoda ou agradável.
Na presença do outro me exponho às palavras, às vírgulas mal-colocadas, adjetivos escorregadios,notas ambivalentes. Na atitude do outro ecoam expectativas devidamente floreadas por uma dezena de intenções subjetivas e nem mesmo nós, os autores, sabemos traduzi-las.
Como correspondê-las? O autor dentro da história sabe ao certo as reais intenções do seu personagem?