Eu gosto dela quando ela é de verdade. Mas ela nem sempre é assim, ou melhor, ela quase nunca consegue ser assim. Ela está sempre presa em coisas inomináveis, como se um guarda-chuva escondesse o seu belo rosto pálido dos desígnios da luz. Eu vivo nela a fragilidade dos dias, o lado ambíguo da felicidade, os passeios nos campos confusos de nossas mentes acostumadas a simulação.
Somos a virtude de um labirinto, uma aventura pelo nosso leito, do nosso rio virtual que, ao bem da verdade, vai dar em lugar nenhum. Nós desgraçamos o cotidiano juntos e, depois, colhemos com ingenuidade os frutos. Eu tenho nela a promessa. Ela tem em mim a incoerência.
Não me resta muito para falar. Não mesmo. Tenho nas mãos apenas as pedras que venho guardando ao longo do tempo e, pelo que percebo, o fruto não esta maduro o suficiente para sucumbir com um simples arremesso.
Então choro com a abundância de quem tem uma felicidade secreta.