Então, ela dobrou o bilhete ao meio e pregou-o na geladeira. E só depois de algum tempo se deu conta do que tinha feito. Mas, aí, as malas já estavam prontas. Diante disso, ele manteve-se imóvel e, aparentemente, todos os dias tinham o mesmo ar obtuso. Um dia, quando ela resolveu aparecer depois de alguns meses, ele trouxe o mesmo papel onde ela havia deixado o seu recado. E, ali, repousaram as únicas palavras que ele dispensou ao acontecido. Entregou para ela e saiu. Foi a última vez que se viram.
É claro que dói. Dói pra caramba! Nem todas lembranças são tão perenes quanto outras. Escondo, como todo mundo esconde (e nem vejo mérito nenhum nisso) e, na verdade, vou disfarçar até o fim. Enquanto isso, a coisa morre em segredo diante dos nossos olhos abertos. Até o dia que se tranforma em passado.