E assim seguem...
criando espacinhos no cotidiano, pequenos lugares onde exercem um micro-poder tacanho e se entregam ao conforto das opiniões semelhantes. Dividem com aço menos afiado os pontos-de-vista entre carnes iguais. A opulência reina nas dobrinhas, meias de seda, casacos de couro, cintas-liga, ternos alinhados. Aos outros - às estruturas rivais - se transformam em mini-ditadores pernósticos. Seguem ardendo, com as mãos trêmulas, as lamparinas todas unidas numa aferição da permanência desta “luzilusão” por todos os espaços onde os micro-poderes estabelecidos são protegidos como osso. Eles garantem a sobrevivência dos cães danados.
há quem diga que isso basta. O velho hábito de segurar o osso entre os dentes. Experienciar o que? Experimentar para que? Só os movimentos que forem precisos, calculados e evitando sempre que os dedos fiquem queimados. Aí, nesse caso, serve. Aos poucos, em lentos processos, as micro-estruturas aglutinam-se até formarem uma mega-estrutura, um fosso arqueológico de sistemas de ultima geração. De uma hora para outra, pronta para formular novas convenções no que antes era a delícia da negação, agora jaz um antro de dogmas. Inevitavelmente, ao poder só interessa a dominação, ou melhor, subjulgar pela afirmação, pelas rédeas da teimosia ou do martelo, um cabedal de valores tão pessoais.