Uma Buenos Aires sob os olhos tensos, investigativos, estrangeiros. Onde se a maior parte do trajeto foi pelos ares, a parte mais tortuosa dele vem exatamente da rua de Palermo. Em solo firme. De concreto. A procurar por entre as mesas alguém que lhe seja peculiar à lembrança, alguém que ela veio encontrar (ou banir de vez) em meio a tangos e vinhos. Em língua quente. De fantasmas ela nunca teve medo. Só de gentes vivas, muito vivas. Agora a mirar um certo senhor muito elegante entretido com um bloco de notas, uma xícara de café a esfriar sobre a mesa com ares argentinos e um cigarro entre os dedos.
“Quantos cigarros teus pulmões foram capazes de suportar até eu chegar?”
“Faz tempo que a gente se falou pela ultima vez... Tempo que eu estou sentado nessa mesa... Tempo... Vivo do tempo e dessas companhias que estás vendo agora, nesse exato momento.”
Ainda em pé a gargalhar. “O que sabe você sobre o tempo?”
“Que ele passa mais rápido para mim...”, sorri olhando para os cabelos brancos.
“Você não tem idéia do que é o tempo naquele lugar. E agora me vem com esse discurso, sempre o mesmo discurso...”
“O mesmo?”
“Quase sempre...”
“E talvez tenha sido exatamente por isso que você esteja aqui, não?”
“Talvez... Melhor aqui do que naquela porcaria de clínica...”
“Depende...”
“Sempre depende...”
“Eu conheço gente que fica bem melhor lá”.
“Quem sabe nós dois ficaríamos...”
“Prefiro estes tipos de cadeiras...”
“Vais me convidar para sentar?”
“Sim, porque você não pede um café?”
“Ora, eu vim aqui pra tomar vinho, esqueceu?”
“Eu, geralmente, não bebo vinho essa hora”
“Nem por mim?”
“Nem por mim... Ah, finalmente um sorriso! Você fica quase indecente quando sorri”.
“Por que é que você queria tanto me ver?”
“E você já se perguntou por que é que quis vir?”
“Não foi essa a pergunta que te fiz”
“[...] e isso importa?”
“Não mais...”
“Eu tinha planejado te dizer tanta coisa, te escrever tanta coisa...”
“Então não diz nada...Ou diz, o que aparece aí na sua cabeça...”
“Uma porção de coisas tão abstratas que você repudiaria todas! E tantas perguntas, tantas...que chega a me dar tonturas. E ainda aquelas cartas...”
“Olha, isso não é um jogo com termos, resultado, tempo, regras...”.
“E é o quê então???”
“Estamos aqui pra ver. Posso te dizer uma coisa assim no ouvido, posso?”.
“Aqui? Agora?”.
“Sim. Não consigo resistir ao teu pescoço... Acho que é por isso que eu queria você aqui. Exatamente aqui”.
“Pode pegar então pra você”, curva o pescoço e oferecendo-lhe sobre a mesa.
“Mas espera... Você estava com tantas pendências comigo... E vai me dando assim? Sem dificultar? Ora, você adora isso...”.
“É só um pescoço... Ele de nada me serve agora”.
“Então ótimo, eu fico com ele”, passando as mãos gentilmente pela nuca dela.
“Quem sabe você não faz dele uma droga de chaveiro, ou bota como troféu naquele seu quarto... E não faz isso”, tirando a mão dele da nuca.
“Uma vantagem na minha vida é não precisar mais de troféu”.
“Não? E eu fui o quê então?”.
“Você é algo que ainda estamos produzindo”.
“Ora... Melhor você decidir se me quer escritora, se me quer numa porra de uma clínica, ou puta cativa...”.
“Quero tudo isso. É te exigir demais? Ou você acha que eu ia me conformar com pouco, com essas suas pré-definições?”.
“Você me quer esquiziofrência...Todos no fundo querem... Ando cansada de tudo isso...”
“Tem muito barulho aqui...”.
“Então vamos sair?”.
“Para onde você quer ir?”.
“Pra cama”.
Por ora, este quarto está impregnado de Dona Estultícia por todas as frestras e poros...
¶ 6:01 PM
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