
Todos os teus fãs de coisa nenhuma, deste sofrimento vazio, estão a se embriagar nesta linguagem esguia, sexy e bem lubrificada. Turbinam os bobos corações entediados de uma sexta-feira qualquer, solitária à margem de um rio fedido e, com as mãos cansadas, inundam com sêmem as águas que infectam um oceano vazio. E você a duelar outras histórias com quem te destila escárnios como método para sufocar o desejo reprimido de cruzar tua boca de um canto ao outro e enrolar duas línguas com vigor. Cheiro de plantas já mortas. Pouco sabem sobre o efeito em você de uma simples pétala, umas palavras doces e ordinárias, uma taça de tinto.
Sim, me diverte tudo isso. Queria ser menos canalha e não gozar tanto desse prazer que tiramos dessas matérias mórbidas, líquidas e rubras. Mas não sou. As minhas palavras são contidas na medida do teu exagero. E o teu exagero é como um verbo carnudo que circula guloso na pele do meu cotidiano. Derramas teus versos sobre os lençóis brancos da minha cama e deliras com tuas masturbações pós-modernas. Eu apenas te observo e digo sim, sim, sim... e peço mais, mais, mais. Sou teu cúmplice nessa utopia depravada e lambo os teus dedos dos pés, limpo as tuas cavidades e, por fim, coloco-me à disposição: sugo teus sentidos mais vis e hediondos. Sou quase feliz.
Sim, contenho meu desejo de tirar-te essas máscaras e te colocar nua, completamente exposta, numa avenida para conviver com a tua beleza carnal. Exorto (e ao mesmo tempo deliro) nesta mania de te expor em corredores, escritórios e igrejas, onde homens salivam diante da tua tez infantil. Homens querendo te sodomizar em largas salas de corporações, mictórios públicos, casas de massagem, enquanto recitas os teus supostos infernos. Eles te cobiçam, sentem medo e roçam o sexo diante do teu pedestal. E você aí a me perguntar sobre o que fazer com tudo isso?
Não me depravo por pouco. Não sinto prazer em camas de espinho. Gozo e te dou a volta na medida do que pedes. Não sonho em ver nada além dessa alma disfarçada. Talvez. Sou assim e aprendi a negociar com isso desde pequeno. E não ouses abusar do luxo do meu prazer que, afinal, te guardo a parte mais límpida. Não ouse me fazer rires dessa tua alma moralista com falsa moral. Prefiro-te Geni mil vezes. Mil vezes este teu estranho escapulário pendente entre a prostituta e a carola. Quando me visto de outros trajes é justamente porque esta tara tem limites. Limites de uma educação judaica, limites de uma idade que segue mostrando que os joelhos já não são como antes. Mas, não ouse me dizer isso nunca!
Blasfêmias, declarações, cartas e memórias curtas. Notas para Dona Estultícia.