Não consigo formular raciocínios tão rápidos, tão efusivos. Não consigo, simplesmente não consigo, achar exatamente o ponto certo da questão. Estou gravitando, suspenso, entre um ponto e outro, agarrando-me aos conceitos que tenho disponíveis, às poucas e tênues verdades às quais construo a ponte entre estes diversos “eus” aprisionados para fora desta janela denominada sociedade. Aliás, nos deram algumas palavras: sociedade, vida, trabalho, prazer, ócio. Vestiram-nas sobre nós e sobre nosso corpo e, sempre, sempre, sempre nos dizem: elas são suas. Todas as chamas da dúvida são capazes de produzir um incêndio pessoal, mas espero que destas cinzas apareça um novo eu.
Tenho apenas rompantes e medo de estar vagando. Me sinto absurdamente sozinho nesta empreitada. Não tenho as chaves e não posso sequer ver no meu próprio aniquilamento um caminho de resposta. Se os outros são selvagens, animais que rodeiam sempre na velha disputa pela presa, eu sou apenas um estágio entre o predador e a presa. Sou a falta de vontade de representar estes extremos.
Não eu não tenho fósforos, amigo. Se o tivesse é claro que acenderia com prazer o seu cigarro (como acenderia com prazer qualquer cigarro de qualquer outra pessoa). Mas não tenho.